quinta-feira, 8 de maio de 2008

fernando pessoa simplificando um pouco a vida e a arte ...
uma visão simples mais poética de coisas que realmente banalizamos as vezes até sem se dar conta... as vezes dando-se conta mais não se importando...

"Ah, compreendo! O patrão Vasques é a Vida. A Vida, monótona e necessária, mandante e
desconhecida. Este homem banal representa a banalidade da Vida. Ele é tudo para mim, por
fora, porque a Vida é tudo para mim por fora.

E, se o escritório da Rua dos Douradores representa para mim a vida, este meu segundo
andar, onde moro, na mesma Rua dos Douradores, representa para mim a Arte. Sim, a Arte,
que mora na mesma rua que a Vida, porém num lugar diferente, a Arte que alivia da vida
sem aliviar de viver, que é tão monótona como a mesma vida, mas só em lugar diferente. Sim,
esta Rua dos Douradores compreende para mim todo o sentido das coisas, a solução de todos
os enigmas, salvo o existirem enigmas, que é o que não pode ter solução."

livro do desassossego Bernardo Soares (heterônimo de Fernando Pessoa)

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